Leandra Lambert

Escritora, pesquisadora, artista e musicista. 

Redação versátil: projetos culturais, artigos, relatórios, ghost writing, ficção, tradução. Projetos próprios aprovados em editais, com destaque para Retomada Funarte - Música, 23-24.

Doutora e Mestre em Artes pela UERJ com estágio na Paris 1 Panthéon-Sorbonne. Bacharel em Comunicação e Cinema pela UFF.

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Um pouco da minha história...

Sou escritora, pesquisadora, artista e musicista. Doutora e Mestre em Artes (UERJ - Paris 1), Bacharel em Comunicação e Cinema (UFF). Estou cursando um MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e Dados, em busca de aprimorar a articulação das minhas diferentes experiências. Comecei a desenvolver textos de teoria-ficção como pesquisadora na instituição The New Centre for Research and Practice. Também tenho bons conhecimentos em branding e em IA prompt design.

Escrevo e faço música desde o século passado, sempre experimentando diferentes possibilidades. Utilizei tecnologias musicais de diferentes épocas, em hardware e software, em aprendizado contínuo e adaptável.

A partir de 2009 acabei me envolvendo com arte de uma forma mais ampla e, como artista-pesquisadora, apresentei trabalhos teóricos, artísticos e musicais em eventos em treze países, realizei exposições individuais e publiquei artigos em periódicos internacionais bem qualificados como Art Research Journal (BR), Filigrane (França) e Interference (Irlanda).


Fiz um documentário experimental com a escritora Hilda Hilst, além de ter participado de alguns outros trabalhos em cinema, como o curta Fogo Contra Fogo. Exerci atividades de liderança e trabalhei em equipe, organizando seminários, sendo representante no Doutorado e ministrando workshops de arte multissensorial.

Durante a pandemia, comecei a criar peças únicas feitas à mão, utilizando principalmente cobre, pedras e elementos de reuso, dando origem à marca Murmúria.

Desde 2023 redijo relatórios ESG como freelancer para o Grupo Report, conduzindo entrevistas e produzindo conteúdo escrito para empresas de ramos diversos. Atualmente venho também desenvolvendo meu projeto de pesquisa em música aprovado em edital nacional da FUNARTE, que pode ser conferido, em seu estágio atual, nas seções a seguir.

...e um pouco dos meus processos.

Minha trajetória me possibilitou atuar junto a pessoas de diversos backgrounds e de várias partes do mundo. Sempre foi imperativo exercitar e desenvolver a escuta, a empatia, a curiosidade, a criatividade, a autonomia, a coragem de me apresentar e defender ideias em público, a capacidade de análise, assim como a de improvisar e resolver imprevistos.

Em minhas produções autorais investigo relações entre a memória, a imaginação e a invenção de possíveis futuros. Relaciono a experiência multissensorial dos ambientes ao onírico e à história de cada lugar. Também trabalho com questões sociais, tais como gênero e neuroatipia.

Ao escrever um projeto, procuro aplicar minhas diferentes experiências e meus conhecimentos diversificados: busco abranger tanto a criação livre e a experimentação inventiva quanto o pensamento estratégico, as considerações pragmáticas e uma boa comunicação.

Projetos para editais:

- Mapeamento da música de invenção feita por mulheres e pessoas trans no Brasil - Selecionado com nota máxima na ampla concorrência do edital nacional RETOMADA FUNARTE - MÚSICA - 2023/2024. Projeto próprio, responsável por todas as etapas. Pesquisa em música. Em processo de realização: início da pesquisa, criação da marca MUSIMUTRA, identidade visual e primeira versão do site realizadas.

- Numa Gama Apresenta: Campo Esquerdo - Aprovado na cota PCD da Lei Paulo Gustavo - Apresentação musical, Rio de Janeiro, 2023/2024. Redação estratégica para o projeto de Numa Gama. Realizado em 2024 nos jardins do MAM-RJ.

- Atipia - Série de apresentações musicais, SESC PULSAR - 2025, Rio de Janeiro (estadual). Projeto próprio, responsável por todas as etapas. Habilitado no primeiro envio, está em processo de avaliação pela banca.

- Concreto Azul - Filme de curta-metragem de Henrique Nunes, do Vela Estéril. Fui responsável por todo o projeto, do roteiro ao orçamento. Aprovado na Lei Paulo Gustavo, Barra Mansa (RJ), 2024. Não foi selecionado entre os primeiros (não foi contemplado).

- Escutas Atlânticas - Apresentação musical on-line, projeto solo. Aprovado e realizado. Edital Cultura Presente nas Redes 2, SECEC - Estado do Rio de Janeiro, Resende, 2021-2022.

- Passagens Atlânticas - Selecionada para realização de exposição individual na Galeria IBEU, Artes Visuais, 2015-2016. Realizado. Projeto próprio, responsável por todas as etapas. Curadoria de César Kiraly.

- Danças Atlânticas - Selecionada para realização de exposição individual no CCJF-Rio, Artes Visuais, 2012-2013. Realizado. Projeto próprio, responsável por todas as etapas. Texto crítico de Leila Danziger.

Seleção de Artigos Acadêmicos

Textos principais do projeto "Musimutra"

Mapeamento da produção musical de invenção realizada por mulheres e pessoas trans no Brasil 

Este projeto surgiu da percepção de um aumento da presença de mulheres e pessoas trans no meio musical em geral; e nos meios da música de invenção, dos quais também fazemos parte, em especial. Nosso interesse aqui é iniciar um amplo mapeamento dessa presença e de suas produções no Brasil; e investigar suas características, motivações, peculiaridades locais e impactos. Ao fim, o mapeamento deverá ficar disponível em um site online, acompanhado de uma compilação de músicas representativas dessa produção. Além do mapeamento em si, propomos a realização de oficinas técnicas e de criação online e a publicação de dois artigos na internet: um, de minha autoria, apontando os resultados e conclusões principais do mapeamento; e outro, uma reflexão filosófica de Cássia Siqueira, pesquisadora trans-feminista, Doutoranda em Filosofia pela UFRJ e ex-professora Substituta na UFF.

Algumas pesquisas de grande valor já foram realizadas em sentidos tangentes e complementares ao que propomos. Tais pesquisas se deram no âmbito acadêmico, em teses, dissertações e artigos, por pesquisadoras/es da musicologia, como Isabel Nogueira (UFRGS) e Tânia Neiva (UFPB); e da comunicação, como Caluã Eloi (UFJF). 

No entanto, sempre existem lacunas que merecem atenção: no caso das duas primeiras autoras, o foco é na presença feminina e em certos tipos de música experimental que são, em geral, predominantemente circunscritos a ambientes privilegiados, como algumas das universidades públicas de maior renome no país. No caso de Caluã Eloi, sua pesquisa foi focada nas pessoas trans. Socialmente e espacialmente bastante diversa, estendendo-se para além do Brasil, não houve uma delimitação mais específica de gêneros musicais. As fontes de pesquisa online escolhidas, Spotify e Youtube, são as dominantes: e muitas vezes são pouco ou nada utilizadas por quem faz e consome a música que queremos investigar. As plataformas acima citadas em geral concentram majoritariamente gêneros musicais que, comumente com algum desejo de chegar ao mais bem remunerado "mainstream" (a via de consumo musical mais ampla e genérica), reproduzem determinadas culturas, modismos e modos de criação e produção musical, mantendo-se em vias já conhecidas e formatadas. Tudo isso é, também, de grande interesse - mas não se trata do objeto de pesquisa que colocamos neste projeto. 

A nossa intenção é, em um vetor, ampliar o escopo de gênero do mapeamento; e, no outro, estreitar o foco para determinados gêneros musicais. Assim, o projeto deverá abranger pessoas transmasculinas, transfemininas, travestis e todo o espectro não-binário; além das mulheres cis, entre as quais será dado especial enfoque a marcadores tais como classe, raça, etnia, origem periférica, neuroatipia e pertencimento ao espectro LGBTQIAP+, por exemplo. Quanto ao âmbito dos gêneros musicais, nosso foco recai sobre os que podem ser definidos como de invenção, experimentais, "underground": que acontecem às margens, nos subterrâneos, sem intenção de replicar formatos e seguir vias amplas, mas sim abrindo e transformando vias estreitas com a própria passagem e produção. 

O nosso entendimento do que pode caber aí é amplo e inclusivo: tanto pode ser um projeto solo que usa eletrônica obsoleta para fazer música extrema, quanto um rap que subverte discursos e modos de produção dominantes atualmente, como pode ser um grupo que se utiliza de instrumentos acústicos regionais para criar improvisações inesperadas. Acreditamos, inclusive, que encontraremos uma rica diferença de usos e expressões artísticas nas diversas regiões do país, com peculiaridades e uma diversidade que precisa ser melhor conhecida e reconhecida. Para isso, nos utilizaremos de alguns métodos e táticas, além de nos aprofundarmos na bibliografia já existente. São eles: 

- Pesquisa online através de redes e plataformas mais utilizadas pelas pessoas que fazem estes tipos de música, tais como Soundcloud e Bandcamp; 

- Chamadas pelas redes sociais para preenchimento de formulário online de cadastro, com as questões mais pertinentes para a pesquisa; 

- Quem preenche o formulário poderá, se desejar, participar gratuitamente de oficinas online que ofereceremos, como forma complementar de estímulo à continuidade da produção, capacitação, estabelecimento de trocas e contrapartida social;

- Estabelecer vias de diálogo constante com agentes locais que sejam referências em suas regiões e nichos, que possam auxiliar nas trocas e apontar tanto artistas recém-surgides quanto pessoas veteranas que não estão em destaque. 

- Eventuais visitas para pesquisa em campo. Por questões de sustentabilidade, acreditamos que é mais produtivo evitar grandes deslocamentos e concentrar esforços na pesquisa remota; no entanto, também sabemos que algumas vezes a presença é imprescindível. 

- Realização de entrevistas com algumas dessas pessoas. As oficinas técnicas e de criação online que oferecerei são, a princípio: "Escuta, criação e improviso vocal"; e "Como fazer e gravar música com o que você tem - ainda que seja só um celular". Cássia oferecerá a oficina online "Loops, gravadores e fitas cassete". 

Ao final, o mapeamento ficará disponível em um site online, acompanhado de uma compilação de músicas representativas dessa produção, utilizando plataformas como as usadas durante a pesquisa, como Soundcloud e Bandcamp. Haverá também a publicação de nossos dois artigos, o de minha autoria, apontando os resultados e conclusões principais do mapeamento; e a reflexão filosófica da Cássia Siqueira, encerrando o ciclo.

Muito obrigada!